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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Natal em nós



Eis que vos trago uma boa nova de grande alegria: na cidade de David acaba de vos nascer, hoje, o Salvador, que é Cristo, Senhor...

Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens de boa vontade.
Assim foi anunciado, aos pastores de Belém, por um mensageiro celeste, o grande acontecimento.
Nas palavras vos nascer está toda a importância do Natal. Jesus nasceu para cada um em particular.
Não se trata de um fato histórico, de caráter geral. É um acontecimento que, particularmente, diz respeito a cada um.
Realmente, a obra do Nazareno só tem eficácia quando individualizada.
A redenção, que é obra de educação, tem de partir da parte para o todo. Do indivíduo para a coletividade.Enquanto esperamos que o ambiente se modifique não haverá mudanças. Cada um de nós deve realizar a sua modificação.
Depende somente de nós.
O Natal, desta forma, é aquele que se concretizará em nós, com a nossa vontade e colaboração.
O estábulo e a manjedoura da cidade de David não devem servir somente para composições poéticas ou literárias.
Devemos entendê-los como símbolos de virtudes, sem as quais nada conseguiremos, no que diz respeito ao nosso aperfeiçoamento.
O Espírito encarnado na Terra não progride ao acaso, mas sim pelo influxo das energias próprias, orientadas por Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Assim, toda a magia do Natal está em cada um receber e concentrar em si esse advento.
Jesus é uma realidade. Ele é a Verdade, a Justiça e o Amor.
Onde estes elementos estiverem presentes, Ele aí estará.
Jesus não é o fundador de nenhum credo ou seita. Ele é o revelador da Lei eterna, o expoente máximo da Verdade, da Vontade de Deus.
Jesus é a luz do mundo. Assim como o sol não ilumina somente um hemisfério, mas sim toda a Terra, assim o Divino Pastor apascenta com igual carinho todas as ovelhas do Seu redil.
O Espírito do Cristo vela sobre as Índias, a China e o Japão, como sobre a Europa e a América.
Não importa que O desconheçam quanto à denominação. Ele inspira aos homens a revelação Divina, o Evangelho do amor.
Aqui Lhe dão um nome, ali um outro título.
O que importa é que Ele é o mediador de Deus para os homens, e intérprete da Sua Lei.
Onde reside o Espírito do Cristo, aí há liberdade. Jesus jamais obrigou ninguém a crer desta ou daquela forma.
Sábio educador, sabia falar ao íntimo da criatura, despertar as energias latentes que ali dormiam.
Esta a Sua obra: de educação. Porque educar é pôr em ação, é agitar os poderes anímicos, dirigindo-os ao bem e ao belo, ao justo e ao verdadeiro.
Este é o ideal de perfeição pelo qual anseia a alma prisioneira da carne.
Jesus nasceu há mais de vinte séculos...
Mas o Seu natalício, como tudo o que Dele provém, reveste-se de perpetuidade.
O Natal do Divino Enviado é um fato que se repete todos os dias. Foi de ontem, é de hoje, será de amanhã e de sempre
Os que ainda não sentiram em seu interior a influência do Espírito do Cristo, ignoram que Ele nasceu.
Só se sabe das coisas de Jesus por experiência própria. Só após Ele haver nascido na palha humilde do nosso coração é que chegamos a entendê-Lo, assimilando em Espírito e Verdade os Seus ensinos.

* * *
Neste Natal lhe desejamos muita paz. Em nome do Celeste menino, o abraçamos irmão, amigo.
Jesus lhe abençoe a vida e lhe confira redobradas oportunidades de servir no bem.
Que Sua mensagem de amor lhe penetre a alma em profundidade e que juntos possamos, em nome Dele, espalhar sementes de bondade, pela terra árida e sofrida dos que não creem, porque ainda não O conhecem.


Feliz Natal!







Redação do Momento Espírita

Um Homem chamado Jesus


Certa vez, um Espírito Sublime deixou as estrelas, revestiu-Se de um corpo humano e veio habitar entre os homens.


Porque fosse um exímio artista plástico, habituado a modelar as formas celestes, compondo astros e globos planetários, tomou da madeira bruta e deu-lhe formas úteis.

Durante anos, de Suas mãos brotaram mesas e bancos, onde amigos e irmãos se assentavam para repartir o pão.

Para receber os seus corpos cansados, ao final do dia, Ele preparou camas confortáveis e, porque amasse a todos os seres viventes, não esqueceu de providenciar cochos e manjedouras onde os animais pudessem vencer a fome.

Porque fosse artista de outras artes, certo dia deixou as ferramentas com que moldava a madeira, e partiu pelas estradas poeirentas.

Tomou do alaúde natural de um lago, em Genesaré, e ali teceu as mais belas canções.

Seu canto atraía crianças, velhos e moços. Vinham de todas as bandas.

A entonação de Sua voz calava o choro dos bebês e as dores arrefeciam nos corações das viúvas e dos desamparados.

As harmonias que compunha tinham o condão de secar lágrimas e sensibilizar corações endurecidos.

Como soubesse compor poemas de rara beleza, subiu a um monte e derramou versos de bem-aventuranças, que enalteciam a misericórdia, a justiça e o perdão.

Porque Sua sensibilidade Se compadecia das dores da multidão, multiplicou pães e peixes, saciando-lhe a fome física.

Delicado na postura, gentil no falar, por onde passava deixava impregnado o perfume de Sua presença.

Possuía tanto amor que o exalava de Si aos que O rodeassem. Uma pobre mulher enferma tocou-Lhe a barra do manto e recebeu os fluidos curadores que lhe restituíram a saúde.

Dócil como um cordeiro, abraçou crianças, colocou-as em Seus joelhos e lhes falou do Pai que está nos céus, que veste a erva do campo e providencia alimento às aves cantantes.

Enérgico nos posicionamentos morais, usou da Sua voz para o discurso da honra, defendendo o templo, a casa do Pai, dos que desejavam lesar o povo já por si sofrido e humilhado.

Enalteceu os pequenos e na Sua grandeza, atentava para detalhes mínimos.

Olhou para a figueira e convidou um cobrador de impostos a descer a fim de estar com Ele mais estreitamente.

Acreditavam que Ele tomaria um trono terrestre e governaria por anos, com justiça.

Ele preferiu penetrar os corações dos homens e viver na sua intimidade, para que eles usufruíssem de paz e a tivessem em abundância.

Seu nome é Jesus, o Amigo Divino que permanece de braços abertos, declamando os versos do Seu poema de amor: Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei...



Redação do Momento Espírita

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Hoje é o dia




Queres servir?

Não te demores na expectativa de dias melhores.
O doente não pode esperar, indefinidamente, o remédio.
O desesperado não suporta o peso da aflição por tempo dilatado.
O desorientado reclama direção urgente para que atinja o equilíbrio.
Tens piedade?
Não sufoques o sentimento que te leva ao gesto de socorro e de carinho.
Quantas vezes a protelação dos teus propósitos de servir furta ao próximo o alívio e o socorro que aguarda ansiosamente!
O mundo guarda o registro de obras inacabadas, de ideais frustrados, de benefícios anulados, tão somente porque as criaturas querem servir, dizem amar o próximo, comovem-se à vista do sofrimento alheio, mas cruzam os braços, negando-se aos apelos da necessidade que as rodeia.
Se queres ajudar, se tens piedade, busca logo o ensejo de fazê-lo, eis que o hoje te oferece ocasião de materializar os teus planos de serviço, mas o futuro permanece na pauta dos desígnios de Deus.
Amanhã, quem sabe?


Pelo Espírito Camilo Chaves

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“Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje”
Jesus tem pressa e confia em nós, não vamos desaponta-lo mais uma vez, trabalhemos unidos pelo bem comum, comecemos nossas mudanças em nossos lares pois com certeza aí estão nossas maiores provações.
Pergunte-se: “Quero um mundo melhor. Mas o que tenho feito para isto acontecer?”


Pense nisso!



Sérgio Luiz

ORAÇÃO DE ESPERANÇA



Senhor! Os homens reúnem-se no mundo para pedir, reclamar, maldizer. Legiões humanas devotadas à fé entregam-se para que as comandes; multidões sintonizam contigo buscando servir-Te.
Permite-nos, agora, um espaço para a gratidão por estes dias de entendimento fraternal, vividos na Casa que nos emprestaste para o planejamento das atividades evangélicas do futuro.
Como não estamos habituados a agradecer e louvar sem apresentar o rol das nossas súplicas, permite-nos fazeMo de forma diferente.
Quando, quase todos pedem pêlos infelizes, nós nos atrevemos a suplicar pêlos infelicitadores. Quando os corações suplicam em favor dos caídos, dos delinquentes, dos que se agridem, nós nos propomos a interferir em beneficio dos que fomentam as quedas, os delitos e a violência; quando os pensamentos se voltam para interceder pêlos esfomeados, os carentes, os desiludidos, nós nos encorajamos a formular nossas rogativas por aqueles que respondem por todos os erros que assolam a Terra, estabelecendo a miséria social, a falência moral e a queda nas rampas éticas do comportamento.
Não Te queremos pedir pelas vítimas de todos os matizes, senão, pêlos seus algozes, os que obscureceram os sentimentos, a consciência e a conduta, comprazendo-se, quais quadrúpedes ferozes, sobre os cadáveres dos vencidos.
Tu que és o nosso pastor e prometeste ‘apoio a todas as ovelhas, tem misericórdia deles, os irmãos que se cegaram a si mesmos e, enlouquecidos, ateiam as labaredas do ódio na Terra e fomentam as desgraças que dominam o mundo.
Tu podes fazê-lo, Senhor, e é por isso que, em Te agradecendo todas as dádivas da paz que fruímos, não nos podemos esquecer desses que ardem nas labaredas cruéis da ignorância, alucinados pelo desequilíbrio que os tomam profundamente infelizes.
Retira dos nossos sentimentos de amor a cota melhor e canaliza-a para os irmãos enlouquecidos na satisfação íntima do prazer, que enregelaram o coração longe dos sentimentos dehumanidade e que terão de despertar, um dia, sob o castigo da consciência quëminguém poupa.
Porque já passamos, em épocas remotas, por estes caminhos, é que Te suplicamos por eles, os irmãos mais infelizes que desconhecem a própria felicidade.
Quanto a nós, ensina-nos a não fruir de felicidade enquanto haja na Terra e na Pátria do Cruzeiro os que choram, os que se debatem nos esconderijos da perturbação, e consciente ou inconscientemente Te negam a sabedoria, o amor e a condução de ternura como Pastor de nossas vidas.
Quando os teus discípulos, aqui reunidos, encerramos essa etapa, damo-nos as mãos, e, emocionados, repetimos como os mártires do passado:
-Ave Cristo! Em Tuas mãos depositamos nossas vidas, para que delas faças o que Te aprouver, sem nos consultar o que queremos, porque só Tu sabes o que é melhor para nós…


Bezerra de Menezes

Se Jesus não tivesse vindo





Era véspera de Natal.
Roberto colocou o sapato na porta do quarto e foi dormir.
Ele não gostava de deitar-se logo após o jantar.
Mas naquela noite estava ansioso para dormir.
Queria acordar bem cedo no outro dia para ver os seus presentes.
Todas as noites, sua mãe lia um trecho do “Evangelho Segundo o Espiritismo” para ele.
Naquela noite, ela leu algumas palavras que Jesus dissera aos seus amigos.
Uma frase tinha ficado na mente de Roberto: “Se eu não tivesse vindo…”
Não fazia muito tempo que dormia, quando Roberto ouviu uma voz áspera e impaciente dizer-lhe: “Levanta-te, já!. Está na hora de levantar.”
Roberto levantou-se pensando que já era de manhã.
Queria ver logo os presentes que Papai Noel trouxera.
Vestiu-se apressado.
Logo notou que seu sapato não estava no lugar onde deixara.
Então, desceu a escada.
Embaixo, tudo estava silencioso.
Não havia ninguém lá para dizer-lhe “Feliz Natal”.
A árvore, os sininhos e as grinaldas de Natal tinham desaparecido.
Ele foi olhar a rua.
A fábrica, perto de sua casa, devia estar trabalhando, pois ouvia o barulho das máquinas.
Correu até a porta da fábrica e deu uma olhadela para dentro.
Viu logo o chefe sentado à sua mesa, com uma cara tão carrancuda!
- Por que a fábrica está trabalhando no dia de Natal? – perguntou Roberto.
- Natal? – respondeu o chefe àsperamente – Que você quer dizer com isso? Que é Natal? Nunca ouvi essa palavra.
- Natal quer dizer o aniversário de Jesus.
- Quem é Jesus? Que maluquice é esta? Não atrapalhe o nosso trabalho, menino. É melhor que você vá embora.
Roberto, espantado, foi correndo a outra rua, para olhar o comércio.
Todas as casas de negócio estavam abertas.
Os empregados das mercearias, dos bancos, das padarias, das lojas, estavam muito ocupados, com ar cansado e aborrecido
O menino ia perguntando:
- Por que estão trabalhando no dia de Natal?
- Natal? Que é Natal?
- É o aniversário de Jesus – explicava Roberto.
Mas todos lhe diziam com mau humor:
- Que Jesus é esse? Ora, não amole! Que tolice! Estamos muito ocupados, vá embora.
Roberto dobrou a esquina, pensando:
- Se Jesus não tivesse vindo… Vou ao Centro Espirita. Vai haver lá uma bonita festa de Evangelização e as tias saberam me responder..
Andou, andou…
Chegando à rua do Centro Espirita, parou espantado, pois no lugar do centro, só havia um terreno vazio.
“Parece que errei o caminho. Mas eu tinha certeza de que nosso centro ficava aqui”, disse Roberto consigo mesmo.
Lá, no meio terreno, havia um cartaz com dizeres.
Aproximando-se mais, ele leu: “Se eu não tivesse vindo…”
Então o menino se lembrou das palavras que sua mãe lera para ele.
Eram as mesmas da placa.
E, triste, pensou: ”Oh, já sei. Jesus não deve ter vindo… É por isso que não há Natal nem Centros Espiritas.”
Roberto pôs-se a andar para lá e para cá, desanimado.
Então lembrou-se da caixa cheia de brinquedos que sua classe de Evangelização Infatil tinha mandado para o orfanato.
Iria até lá ver a distribuição dos presentes.
Mas quando Roberto chegou ao local, observou que, em vez do nome do orfanato no portão, estavam aquelas palavras: “Se eu não tivesse vindo…”
Roberto passou pelo portão, mas viu que, em vez do edíficio, só havia o terreno vazio.
Desorientado, Roberto continuou a andar.
Na estrada encontrou um velhinho que parecia muito doente.
Ele lhe disse:
- O senhor está doente, não está? Vou depressa ao hospital pedir que mandem uma ambulância para buscá-lo.
Mas quando ele chegou ao lugar do hospital, não havia lá nenhum dos enormes edíficios.
Aqui e ali, ele viu placas e cartazes com as palavras: “Se eu não tivesse vindo…”
Aflito, Roberto dobrou outra esquina e seguiu para o abrigo de velhinhos, pensando:
“Lá, no abrigo, o velhinho pode ficar em segurança”.
Mas, em cima do portão, em vez do nome do abrigo, estavam as mesmas palavras: ”Se eu não tivesse vindo…”
Dentro da casa havia homens de cara fechada, jogando e dizendo nomes feios.
Roberto voltou para casa apressadamente, a fim de pedir explicaçao ao pai e a mãe, sobre aqueles acontecimentos.
Ao atravessar a sala de visitas, parou para procurar no Evangelho Segundo o Espiritismo aquelas palavras que ele via agora em toda a parte: “Se eu não tivesse vindo…”, mas não o encontrou, achou apenas a Biblia e nela só encontrou o velho testamento. Depois do livro do profeta Malaquias, as páginas estavam em branco.
Não havia o Novo testamento.
Apenas, no pé de cada página, estavam as palavras: “Se eu não tivesse vindo…”
Roberto deu profundo suspiro e ficou pensando:
- Que mundo terrível este! Não há Centros Espiritas, nem orfanatos, nem hospitais, nem abrigos para velhinhos, nem amor no coração das pessoas. Que tristeza! Por toda parte só vejo cadeias, casas de jogo, carros de polícia, doenças e tanta coisa ruim! Tudo por isso porque Jesus não veio!
Mas, neste momento, ele começou a ouvir as lindas músicas de Natal. Roberto prestou atenção.
Era mesmo o mais lindo hino de Natal que existia: “Noite de Paz! Noite de Amor”.
E ele ouviu a voz alegre de sua mãe dizendo:
- Bom dia, Roberto. Feliz Natal!
Roberto deu um pulo da cama, e muito feliz de verdade , compreendeu que tudo aquilo tinha sido sonho.
Ajoelhou-se, com o coração batendo de tanta alegria, fez esta oração:
- Oh! Senhor Jesus, graças te dou porque vieste! Graças te dou pelo teu Natal!

* * *
SE JESUS NÃO TIVESSE VINDO (adaptado)
Coleção Histórias para você - Gertrude G. Mason