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domingo, 8 de novembro de 2009

Fala amparando



Quando estiveres a ponto de condenar alguém, lembra-te de ti mesmo.

Quantas vezes terás ferido,

quando te propunhas auxiliar?

Muitos daqueles que povoam as penitenciárias, dariam a própria vida para que o tempo recuasse, propiciando-lhes ensejo de se fazerem vítimas

ao invés de verdugos...

Prefeririam cegueira e mudez no instante de vazarem a acusação ou extrema paralisia na hora da violência.

E qual acontece aos irmãos segregados no cárcere, quantas criaturas carregam enfermidade e frustração nas grades mentais do arrependimento tardio?

Trajam-se em figurino recente e conservam a bolsa farta, mas, por dentro trazem desencanto e remorso por fogo e cinza no coração.

Supõem-se livres, no entanto, jazem presas, intimamente, na cela da angústia em que

enjaularam a própria alma, por não haverem

calado a frase cruel no momento oportuno...

Poderiam ter evitado o desastre moral que lhes dói

na lembrança, contudo, por se acomodarem à impaciência, atearam o incêndio que resultou

em loucura e destruição.

Não sirvas vinagre e fel à mesa da própria vida.

Onde surpreendas perturbação e sombra estende o socorro da paz e o benefício da luz.

Compadece-te dos ingratos e desertores,

quanto te condóis dos que passam sob teus olhos, mutilados e infelizes.

Ninguém praticaria o mal se, antes,

lhe conhecesse o fruto amargoso.

Compreendamos para que sejamos compreendidos.

Agora, talvez, poderás censurar

os erros dos semelhantes.

Amanhã, porém, mendigarás o perdão

dos outros pelos teus desatinos.

Entrega a aflição de cada dia

ao silêncio de cada noite.

Lembra-te de que, por maiores tenham sido

os desregramentos da Humanidade na Terra,

o Céu nunca fez coleções de nuvens para amaldiçoar ou punir, mas sim, cada manhã, acende o brilho

solar por mensagem bendita de tolerância

e de amor, endereçando aos homens

a esperança infatigável de Deus.

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